Incertezas da vida

Momentos de angústia.

De acordo com os padrões atuais em Portugal, terminado o ensino secundário, os jovens devem ingressar no ensino superior, conseguir um “canudo” e começar a trabalhar.

Infelizmente, o sistema de ensino neste país está, a meu ver, muito mal estruturado. A forma rígida como os conhecimentos são despejados e a excessiva carga horária com que os alunos são premiados impossibilita-os de terem novas experiências profissionais. Eu sinto que não tenho maturidade suficiente para, aos 18 anos, decidir o que, supostamente, irei fazer para o resto da vida. Eu sei que isto não se constitui como uma regra, mas certo é que se eu tirar, por exemplo, economia e ao ser confrontado com o mercado de trabalho concluir que o que eu pretendo mesmo fazer é montar aviões, irei estar em absoluta desvantagem para aquelas pessoas que já o tinham percebido e portanto já têm formação para tal.

O que pretendo dizer é que o próprio sistema de ensino deveria fornecer aos jovens experiências várias que lhes permitissem experienciar novas áreas para assim poderem estar mais bem preparados para tomarem uma decisão tão importante como é a escolha do curso superior.

No meu caso, estou indeciso entre engenharia aeroespacial ou engenharia eletrotécnica e de computadores, ambas no IST, mas não sei como decidir. Sinto-me angustiado porque vejo o tempo de candidatura a escassear e a dúvida a persistir… Como vou resolver este problema? Para já ainda não sei, mas espero até dia 9 de agosto ter uma resposta.

Mudar Portugal

Hoje em dia vivemos num mundo/numa sociedade de desafios.

Para mim, na vida há coisas boas e más (ou menos boas) que eu encaro como desafios. Assim, direta ou indiretamente, enfrentamo-los e para eles devemos encontrar, rápida e eficazmente, soluções. A linha de raciocínio que, atualmente, une a nossa população é só uma: o nosso país está “virado do avesso” e as coisas estão muito mal por causa da crise. Mas será só por isso? Penso que não. O facto de vivermos esta crise resulta do estado do país, isto é, tudo está “virado do avesso”.

No caso português, há três aspetos fundamentais que suportam esta minha linha de pensamento: o primeiro, Portugal é o único país que está em crise há mais de 30 anos; o segundo, há sempre alguém que nos resolve os problemas (que não nós); e o terceiro, talvez o mais penoso, passamos a vida a queixar-nos!

É frequente ouvirmos expressões como “partiu-se”, “acabou-se”, “gastou-se” (esta é por demais!), que ilustram na perfeição a forma como o povo português se desresponsabiliza e se lamenta. “Quem é que partiu?”, “Quem é que gastou?” são questões às quais ninguém sabe (ou quer) responder. Não serão elas uma justificação para a nossa passividade perante os acontecimentos?

O ser humano é insatisfeito por natureza; aquilo que hoje mais deseja, amanhã já não quer ou vice-versa. Quando se fala em crise, fala-se em dinheiro, dificuldades económicas, sociais… Ora, sabemos que um dos maiores anseios da população é ter dinheiro! Quantas vezes se ouve dizer “Ai se eu fosse rico…”? Muitas. Porém, no meu entender, as pessoas só não o são, porque não se esforçam o suficiente para tal e é este o grande problema da sociedade portuguesa: falta de esforço tanto individual como coletivo.

No dia-a-dia, todos nós procuramos, de certa forma, as coisas erradas. Porquê? Para evitarmos problemas e não termos que pensar em alternativas ou soluções! Será uma atitude correta? Claro que não.

O negativismo atual e em Portugal, em particular, traduz a nossa falta de confiança no futuro. Quando alguém pergunta como “vamos”, respondemos “ando atrás do prejuízo” ou então “mais ou menos”.

Este é um pensamento errado e grave, bastante grave até! Porque é que, em vez de corrermos atrás do “prejuízo”, não corremos atrás do “lucro”? Temos de nos consciencializar de que, para mudarmos o nosso rumo e o rumo do nosso país, temos de agir, de fazer alguma coisa, em vez de estarmos eternamente à espera de um “empurrão”.

Neste momento a faixa etária com melhores apetências/condições para operar esta mudança é a dos jovens, são eles que devem ser os primeiros a mudar – no sentido de saírem da sua zona de conforto – mas não só! A sociedade em geral tem um papel fundamental nesta mudança. Não podemos continuar com o nosso fatalismo do “Quem tudo quer, tudo perde” ou “Começas bem, vais acabar mal”. Não é fácil, mas “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, não terá já dito isto o nosso Pessoa? E talvez neste verso esteja parte da resposta ao nosso problema. É preciso mudar a nossa mentalidade, mas também educar os mais jovens por forma a não terem medo do erro, pois é ele que nos faz crescer e evoluir ou não diríamos que “errar é humano”?

Para terminar, gostaria de partilhar uma experiência de leitura, mais precisamente de uma fábula cujo tema são os desafios. A fábula apresenta uma centena de sapos que pretendem atingir o alto de uma grande torre. Como a multidão que assistia a este evento não acreditava que os sapos conseguissem alcançar o topo, tentaram desmotivá-los com gritos e palavras pouco simpáticas. Alguns sapos começaram a cair, mas para espanto de todos, houve um que continuou e atingiu o topo. No final da prova, a curiosidade tomou conta da multidão que queria saber como é que ele tinha conseguido terminar aquele desafio tão difícil. Quando lhe foram perguntar, descobriram que ele era surdo, daí não ter ouvido as palavras de quem assistia, mas tinha um grande objetivo: realizar o sonho de atingir o topo da torre! E foi o que ele fez!

Tal como o “nosso” sapinho é tempo de lutarmos pelos nossos sonhos, por isso, não se sentem, mexam-se! Haverá sempre muita gente a dizer que não é possível, mas não desistam e sonhem alto, porque “o sonho comanda a vida”!

Lutem sempre com todas as vossas forças e ignorem “os profetas da desgraça” ou “os Velhos do Restelo”, tal como o sapo da nossa fábula.